É estranho pra mim como certas pessoas em juventude tendem a insistir em manter uma vida que não condiz com as respectivas idades. Digo isso me referindo a necessidade de equilíbrio e estabilidade em mente. É um assunto complicado de se discorrer, mas espero que por meio deste eu me faça claro.
Não consigo dispensar o excepcional eventual em detrimento do bom constante, isso realmente não é pra mim. Às vezes você ouve um indivíduo em seus plenos 18 a 20 anos expressando a falta da necessidade de procurar por “mais”. Por exemplo, não é incomum ouvir de jovens, ingressos em namoros longos, levando suas faculdades de maneira produtiva e aparentemente estáveis em todos os aspectos que envolvem a juventude, que não precisam procurar por outras opções ou aceitar oportunidades diferentes e incertas devido ao fato da vida encontrar-se “equilibrada”.
Tenho para mim que não existe equilíbrio nessa etapa da vida. Qualquer indício de controle é pura ilusão. Com 20 anos não existe a possibilidade de tomar rédeas de todos os aspectos da constituição do ser. Ainda não existe a maturidade pra isso, e muito menos seria saudável. Estamos na idade de se abrir a opções novas, de se entregar ao desconhecido e de se deixar levar. Temos que perceber que as oportunidades de grandeza aparecem apenas na estabilidade e ter noção de que sacrificar a mesma, é um preço pequeno pela possibilidade da ocorrência do excepcional, por menor que esta seja.
O caos só constitui um ponto negativo se você assim o enxerga. Numa realidade onde no fundo não existe controle ou equilíbrio, as opções acabam por se resumir em apenas duas: lutar contra e negar as oportunidades que agregam junto a elas o desconhecido e, eventualmente acabar perdendo, ou ceder à essa corrente de eventos que, por mais agressiva, sem rumo e desordenada ela pareça, na realidade é a única certeza de razão e felicidade. Pobres aqueles que não compreendem o que se pode encontrar quando você se entrega ao Fluxo e se deixa levar, quando você para de seguir o caminho e passa a deixar o caminho te direcionar.
Negar os instintos e as vontades mais profundas do ser é negar aquilo que nos faz humanos. Humanos os quais que de fato possuem o caos em seu núcleo interior, e isso nada mais é do que o instinto em sua mais pura forma. O resultado de tal opção será apenas o eventual arrependimento e o questionamento constante de como algo poderia ter sido e como poderia ter sido excepcional.
Portanto, é estranho para mim dispensar as possibilidades e as vontades, apenas por que o constante aparentemente existe. Não há outro nome para isso senão comodismo. Momentos bons te trazem tranquilidade ao ponto que momentos excepcionais te definem. Já dizia um certo filme que a vida não é resumida pela quantidade de fôlegos que você toma, e sim por momentos que tiram seu fôlego. Eu não me contento com o bom, eu quero o extraordinário.
Nulla è vero, tutto è lecito...